Título no Brasil: As Brumas de Avalon

Título Original: The Mists of Avalon

Autora: Marion Zimmer Bradley

Editora: Imago (Brasil)

Ano: 1983

País: EUA

Gênero: Fantasia

brumas de avalonImagem: Submarino

Hoje eu trarei uma dica de leitura de quatro livros que constroem uma envolvente narrativa: As Brumas de Avalon.

Escrito por Marion Zimmer Bradley, essa história traz uma visão distinta da famosa lenda do Rei Arthur da Távola Redonda. Não apenas Bradley nos apresentou um enredo bem diferente do usual – daquele do pequeno Arthur que consegue retirar a espada Excalibur da pedra e tudo mais – como também trouxe,  sobretudo, o olhar das mulheres dessa trama.

Vejam só: nos anos 80, um livro que trata do universo de um lendário homem, mas com destaques para os pensamentos e sentimentos femininos. Já achei interessante a partir daí.

Embora tenha sido lançado nos Estados Unidos em um só livro, no Brasil As Brumas de Avalon se divide em quatro volumes:

I: A Senhora da Magia

II: A Grande Rainha

III: O Gamo-Rei

IV: O Prisioneiro da Árvore

Farei uma resenha única dos quatro títulos, porque acredito que o enredo de todos compõe uma história que faz mais sentido se unida – o que é coerente considerando que foi essa a maneira com que foi concebida.

Contornarei os personagens, as principais intrigas e motivações, os temas, pontos fortes sem, contudo, revelar todos os detalhes – para não estragar a emoção com cada reviravolta e surpresa. Vamos lá!

RESENHA

Ler As Brumas de Avalon é estar dentro da mente de mulheres fortes que empenharam importantes papeis na vida do Rei Arthur e observar todos acontecimentos permeados pelos seus sentimentos, dúvidas e impressões. São elas: Igraine, mãe de Arthur; Viviane, sua tia e grande Sacerdotisa de Avalon; Gwenhwyfar, sua esposa e mais conhecida nas outras obras como Guinevere; e, principalmente, Morgana, a Fada, a feiticeira, irmã de Arthur e principal nessa saga.

Os fatos começam antes de Arthur nascer. Acompanhamos Igraine, ainda jovem, já mãe da pequena Morgana, e descobrimos como ela conheceu Rei Uther, o pai do seu futuro filho. Em meio a uma Bretanha que precisa lidar com a invasão dos saxões, há uma forte divisão religiosa entre os pagãos (da religião antiga, seguidores da Deusa) e o ascendente cristianismo.

Em um desses pilares, está Avalon,  escondida dentre as brumas, onde apenas mulheres – as sacerdotisas – moram, as únicas com que a Deusa se comunica. Mulheres com visões, dedicadas a uma religião fortemente ligada à natureza, aos instintos, à terra: tudo representa a Deusa. Isso me chamou muita atenção: é a história de um homem, revista pelos olhos femininos e, como um dos principais elementos, uma crença que cultua e eleva explicitamente Ela (não Ele – tal como é no cristianismo). A Grande Sacerdotisa, a que lidera a  todas por escolha da Deusa é chamada de Senhora do Lago.

Alguns dos principais elementos da tradicional lenda do Rei Arthur estão presentes: a famosa Kamelot, a Távola Redonda, a espada Excalibur e Merlin. Este último não é aquele velhinho mágico que usa uma roupa azul e lança feitiços – como na animação A Espada Era a Lei – mas sim um sábio, conselheiro da Bretanha e do rei. Na verdade, esse é um título, não pertence a apenas um homem. Taliesin é o primeiro e principal que conhecemos, contudo, seu sucessor (após sua morte) se tornaria o novo Merlin.

Viviane, no primeiro livro, diz à Igraine, junto de Taliesin, que ela está predestinada a dar a luz ao filho do rei, que será aquele que liderará a Bretanha contra os saxões e unificará o reino – naquele momento polarizado religiosamente. Esse seria Arthur.

Não apenas somos envolvidos pela trama desses personagens, mas, através deles, circulamos todo o drama da Bretanha em combater os saxões ao mesmo tempo em que se distorce dividida entre o conservadorismo cristão – que não aceita os rituais pagãos – e os antigos costumes, representados fortemente pela figura de Avalon. As sacerdotisas progressivamente são vistas como figuras estranhas, peculiares, especialmente poderosas. Esse mistério, vinculado à força que elas que representam, ao mesmo tempo fascina e assusta aos outros.

Morgana, ainda nova, é enviada para Avalon junto de sua tia Viviane, a Senhora do Lago, e começa seus passos para se tornar uma grande sacerdotisa. Não poderei dar mais detalhes de tudo que a acontece para não estragar a leitura de vocês, mas posso adiantar que ela se torna importantíssima para Avalon e Kamelot, tendo que lidar com seus próprios dramas enquanto terá, ainda, que cumprir suas obrigações com a Deusa e com seu irmão, Arthur.

Em As Brumas de Avalon, conhecemos Gwenhwyfar (lembra do nome “Guinevere”?), branca, loira e cristã, que se casa com Rei Arthur e vive um triângulo amoroso com o amigo e braço direito do seu marido, o cavaleiro Lancelot (filho de Viviane). Se podemos dizer que Morgana simboliza a força da Deusa para o reinado do seu irmão, Gwenhwyfar representa fortemente o cristianismo.

Sem dúvida, essa é uma história que mistura elementos de uma Bretanha real com o fantástico, mistérios e seres lendários. Um misto de contos de cavaleiros com magia e, mais ainda, a representação de grandes mulheres e seu essencial papel na construção e consolidação de um país, mesmo que o nome conhecido seja o do Rei Arthur.

Confesso que a magia das brumas, a sinceridade do culto à Deusa (presente em todas as coisas) e a força da Morgana, especialmente, me encantaram e empolgaram nessa leitura. Indico fortemente As Brumas de Avalon para todos.

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