O quarto episódio da sexta temporada de Game of Thrones não veio com muitas novidades em relação ao que já vimos, sendo um perfeito exemplo daquele momento de “transição”. Porém, foi o suficiente para nos presentear com uma cena que gerou muita polêmica e, no fim, eu explico um pouco o porquê disso.

** ESSE POST TEM SPOILERS DO QUARTO EPISÓDIO DA SEXTA TEMPORADA DE GAME OF THRONES**

Em Meereen, Tyrion assume a frente nas negociações com os donos de escravos para tentar apaziguar as relações e evitar mais ataques dos Filhos da Harpia. A proposta do anão foi dar o prazo de 7 anos para que a escravidão seja eliminada, ou seja, dando direito a um processo de mudança gradual e não imediato. Em troca, não haveria mais financiamento aos Filhos da Harpia. Quem não gostou nada dessa história foram Missandei, Verme Cinzento e ex-escravos que lutaram ao lado de Daenerys e se sentiram traídos com essa notícia. Fico curiosa para saber como a Mãe dos Dragões reagirá ao saber dessa manobra do Tyrion.

Theon retorna ao seu lar nas Ilhas de Ferro e vai direto ao encontro da sua irmã Yara (Asha, nos livros), que não o recebe muito bem, lembrando como vários homens morreram ao tentar resgatá-lo das mãos de Ramsey Bolton para, depois de tudo, ele se recusar a fugir. Além disso, ela acusa o irmão de ter retornado após a morte do Lorde Bolton por interesse na sucessão do pai – o que sabemos que não é verdade. Theon diz que apoiará Yara durante o Kingsmoot (a cerimônia que decidirá o novo rei das Ilhas de Ferro) e que deseja ajudá-la em seu governo.

Mais uma vez, em Porto Real, contemplamos os movimentos da Fé Militante. O Alto Pardal discursa, como sempre, e dessa vez dirigiu suas palavras para a Rainha Margaery. Depois, a jovem é autorizada, finalmente, a ver o seu irmão Loras Tyrell. Muito mais abalado que a irmã com o confinamento, é aconselhado por Margaery a ser forte e não se render aos sofrimentos e constrangimentos por estar naquele lugar.

Cersei, por outro lado, consegue convencer o seu tio e Mão do Rei, Kevan Lannister, além da avó da Rainha e matriarca da família Tyrell, Olenna, a se unirem para derrubar a Fé Militante e, ao mesmo tempo, libertarem Margaery e Loras das mãos do Alto Pardal. Parece que, realmente, acordaram em deixar de lado as desavenças para exterminar esse mal comum.

Mindinho está novamente no Vale de Arryn visitando o Lorde Robert Arryn, que ainda parece um garoto extremamente mimado. Petyr Baelish conta que Sansa está precisando da ajuda do exército do Vale para uma guerra contra os Bolton que está por vir e Robert Arryn aceita ajudá-la com seus soldados.

Agora, dois destaques durante esse episódio: 

A Batalha no Norte

Sansa Stark chega à Muralha com Brienne e Podrick e encontra, depois de muito tempo, alguém da sua família: Jon Snow. Após um momento de tensão no olhar dos dois, há um abraço emocionado desses que tanto sofreram desde que saíram de Winterfell. O curioso é que, em outra cena, há um diálogo franco em que a Sansa admite ter sido uma garota insuportável com Jon Snow durante toda infância deles e pede perdão a ele por isso.

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Enquanto jantavam, chegou uma carta bem conhecida por quem já leu as Crônicas de Gelo e Fogo, aquela chamada nos livros de a “carta rosa“, enviada para Jon por nada mais nada menos que Ramsey Bolton. Veja o texto lido na série:

“Ao traidor e bastardo Jon Snow.

Você permitiu que selvagens passassem pela Muralha. Você traiu seu próprio povo. Você traiu o Norte. Winterfell é minha, bastardo. Venha ver. Seu irmão Rickon está em meu calabouço, a pele de seu lobo gigante está em meu chão. Venha ver. Quero minha noiva de volta. Mande-a de volta pra mim, bastardo, e não perturbarei você ou seus amantes selvagens. Mas, se a esconder de mim, seguirei para o norte e matarei todo homem, mulher e bebê selvagem sob sua proteção. Você me verá esfolá-los vivos. Verá meus soldados se revezando para estuprar sua irmã, verá meus cães devorando seu irmãozinho selvagem, depois arrancarei seus olhos, e deixarei meus cães cuidarem do resto. Venha ver.

– Ramsay Bolton, Lorde de Winterfell, Protetor do Norte.”

Se você imaginaria que, após essa palavras, Jon Snow levantaria da mesa decidido a acabar com Ramsey, está enganado. Parece que, na série, o rapaz está traumatizado com os recentes acontecimentos e foi preciso que Sansa o mostrasse o como era necessário recuperarem Winterfell e Rickon imediatamente. Foi após ela se mostrar decidida – afirmando que o enfrentaria sem Jon, se fosse preciso – que, finalmente, o antigo Lorde Comandante concordou com a batalha. Agora precisaremos ver quais outros exércitos além dos Selvagens e da ajuda do Vale eles conseguirão para enfrentar o novo Lorde Bolton.

Daenerys, a Não Queimada mesmo

Essa parte da série foi bem polêmica, especialmente para aqueles que já leram os livros e estão por dentro de algumas declarações bem conhecidas de George R. R. Martin. Primeiro, vamos entender o que aconteceu para, depois, discutir o que está sendo muito questionado.

daenerys fogo - low

Daenerys estava em Vaes Dothrak, a cidade que une todos os Khalasares e onde vivem as Dosh Khaleen – Khaleesis viúvas. Esse é o local para onde ela deveria ter ido imediatamente após a morte de Khal Drogo. Mas não foi. Agora, ela se encontra em uma espécie de julgamento feito por todos os Khals sobre qual seria o seu destino (ser Dosh Khaleen, ser estuprada, escrava ou morta).

Enquanto os homens discutem sobre o seu futuro, Daenerys pede a palavra. Ela diz que não deseja nada do que eles especulam para ela, pois foi khaleesi de Khal Drogo, aquele que prometeu que atravessaria o mar – algo incrível para um dothrak – e conquistaria Westeros. A Mãe dos Dragões menosprezou os Khals e disse que ela, sim, era a pessoa preparada para liderar os dothraks – o que os enfureceu.

Um detalhe bom de ser recordado: Vaes Dothrak é considerada uma cidade sagrada e, por esse motivo, não é permitido carregar armas lá dentro. Com isso, fica justificado por que ninguém simplesmente arremessou alguma coisa contra a garganta da Daenerys.

Logo após, ela derruba as piras de fogo dentro no chão do templo e as chamas se espalham em uma velocidade incrivelmente rápida – sério, parecia que o chão estava repleto de gasolina, mas ignoraremos essa liberdade poética. Os homens ficam desesperados com o fogo, mas não conseguem escapar, porque Daario e Jorah, que estavam na cidade e encontraram a Khaleesi alguns momentos antes desse fato, trancaram as portas e mataram os guardas do lado de fora.

O templo vira uma enorme tocha flamejante e, em uma cena mais grandiosa – esteticamente falando – do que a da fogueira da primeira temporada, Daenerys caminha pelo fogo e sai ilesa até os fios de cabelo. A Não Queimada. De novo. Todos os dothrak ao redor do templo se ajoelham para ela, inclusive Jorah e um Daario perplexo com as “habilidades” da sua rainha e amante.

Cadê a polêmica?

Então, você já ouviu dizer que os Targaryen são uma família imune ao fogo? Essa é uma lenda que realmente rolou em Westeros e que chegou ao senso comum de quem assiste a série também. Quando Daenerys Targaryen sobreviveu ao fogo no momento em que seus dragões renasceram, esses “boatos” só aumentaram, mas a verdade é que isso, segundo o autor dessa história, não é real. Vários Targaryens já morreram ou por fogo ou ouro derretido (Viserys, cof cof…) e tem até quem foi engolido por um dragão. É, nem o histórico vínculo com as criaturas de fogo é totalmente garantido. Aliás: dragões também não são totalmente imunes ao fogo, olhem só! Então como ela não se queimou? 

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Bem, no livro não aconteceu – não ainda, pelo menos – o que houve nessa cena em Vaes Dothrak. Mas, sobre a primeira pira de fogo, George R. R. Martin já se pronunciou mais de uma vez afirmando que aquilo foi um evento único e mágico e que, mesmo a Daenerys, não seria imune às chamas. Veja uma das suas declarações:

“Targaryens não são imunes ao fogo! O nascimento dos dragões de Dany foi algo único, mágico, maravilhoso, um milagre. Ela é chamada Não Queimada, porque ela entrou nas chamas e sobreviveu. Mas seu irmão com certeza não era imune a ouro derretido.”

Nos livros, podemos atribuir algumas “diferenças” naqueles que têm o chamado “sangue de dragão“, mas não ligadas à total compatibilidade com o fogo. Além de uma provável tolerância maior – não imunidade – a altas temperaturas, alguns Targaryens tinham o que chamavam de “sonhos de dragão“, ou seja, proféticos (é o caso de Meister Aemon e da própria Dany, por exemplo).

Aqui está uma passagem do livro em que parece que a Daenerys se queima com rochas aquecidas pelas chamas de um dos seus dragões, Drogon:

“Seus músculos doíam, e sentia-se como se estivesse com um início de febre. As rochas haviam deixado suas mãos em carne viva. Estão melhores do que estavam, pensou, enquanto cutucava uma bolha estourada. Sua pele estava rosada e macia, e um claro líquido leitoso vazava das rachaduras das palmas, mas as queimaduras estavam sarando.”

Daenerys. A Dança dos Dragões.

Muitos fãs ficaram preocupados com essa mudança no universo de George R. R. Martin porque iria contra, segundo eles, um elemento fundamental da construção da história – e do futuro da própria Daenerys, inclusive. O que podemos desprender disso é que está claro, pelo que vemos e por declarações repetidas do autor das Crônicas de Gelo e Fogo, que a série e os livros são produtos diferentes e que, progressivamente, se distanciam. O esperado, apesar disso, é que ambos cheguem ao mesmo fim fundamental. Será?

Há quem vincule a fogueira desse último episódio com as três fogueiras da profecia que Daenerys viu na Casa dos Imortais, em que dizia que ela acenderia, de fato, três fogueiras: uma pela vida, uma pela morte e uma pelo amor. A pela vida foi, provavelmente, aquela que trouxe os dragões. Essa segunda seria pela morte e, segundo alguns, igualmente mágica como a primeira, já que preencheria parte dessa mesma profecia.

Não sabemos como isso se desenvolverá nos livros, ainda, então só nos resta esperar.


Uma homenagem ao momento mais romântico do episódio: 

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E você? O que achou do episódio e dessa cena da Daenerys? Comenta aí!

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