Finalmente, consegui parar e escrever sobre essa série que está todo mundo comentando: Stranger Things.

Um garoto desaparece na cidade super pacata de Hawkins e coisas estranhas começam a acontecer a partir disso.

**ESSE TEXTO NÃO TEM SPOILERS**

Quando fui assistir, eu não tinha lido absolutamente nada sobre a história e comecei a ver assim, pura e simplesmente porque precisava de um entretenimento para um sábado tedioso. Pra ser sincera, tinha assistido um trailer sem dar muita atenção e não tinha me empolgado grande coisa, mas resolvi dar uma chance. Um resumo de cara: gostei.

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Pra que o título polêmico então? Porque, tenha você assistido ou não, é bem provável que o que mais escute e leia por aí é que essa série traz uma sensação incrível de nostalgia, de sentimento dos anos 80 (pra quem viveu e pra quem apenas curtiu os filmes dessa época depois do tempo), com referências de filmes de terror antigos e do mundo nerd. Não param de aparecer listas na internet te dando as dicas: E.T., Silent Hill (obrigada por essa, amor), Alien, Poltergeist, O Hobbit, O Senhor dos Anéis, A Hora do Pesadelo, Carrie, Conta Comigo e tantos outros.

Ou, talvez, você simplesmente conheça alguém que tenha achado Stranger Things um apanhado de clichês que deram muito certo no passado, um copia e cola de tantos produtos para chegar no final com algo pouco inovador. Será?

De cara, digo aqui que não concordo com essa afirmação. Não vou fazer o trabalho de tentar convencer ninguém, acho que gostar ou não de uma série, filme ou produto de entretenimento qualquer é sempre algo bem pessoal, mas queria mesmo deixar minha opinião sobre isso.

Há muito tempo que eu sinto falta de bons produtos de suspense – especialmente os que têm uma quedinha pelo terror – que não me deixem entediada, frustrada ou pouquíssimo motivada em me envolver com a história. Que felicidade ter encontrado Stranger Things: um bom roteiro, uma excelente montagem, fotografia incrível e trilha sonora que completa o clima perfeito para cada cena. As atuações não são exageradas – muito pelo contrário, achei o elenco quase impecável –  você não precisa ver o tempo todo o sangue ou o monstro para a trama fluir.

Tá, mas e os clichês? Sim, Stranger Things é repleta de referências aos clássicos. De uma forma muito bem feita. Claramente as influências estão lá, as homenagens quiseram ser feitas e isso compôs a narrativa, preencheu o perfil dos personagens e os cenários sem agredir o espectador. O que eu quero dizer é que, se você não conhece bem a sensação de assistir um filme dos anos 80 ou cada uma daquelas referências – sério, sem ter lido várias matérias na internet antes, hein – isso não está lá gritando na série “OLÁ, SOU UMA CÓPIA DE OUTRO FILME”.

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O texto não é interrompido em nenhum momento e eles conseguiram incorporar diferentes universos que compõem uniformemente a cidade de Hawkins. Não parece uma miscelânea, uma “colcha de retalhos”, como ouvi falar por aí. Acreditei honestamente que aqueles garotos gostavam muito de Dungeons & Dragons, Tolkien e Star Wars – e foi incrível eu também gostar disso e me identificar com os personagens naturalmente.

Eu acharia problemático se a série unisse diversas influências sem assumir uma identidade própria, mas não foi o que aconteceu. O roteiro é uniforme e criou uma história particular. Pela primeira vez em anos, eu consegui assistir um seriado do mesmo gênero sem desistir na metade. Obrigada ao quarteto de garotos por serem o grupo mais clichê possível de meninos nerds e losers da escola e, ao mesmo tempo, tão diferente (já reparou que o mais sensato é sempre o Toothless?).

Eu diria que o mundo de Stranger Things conseguiu ser estruturado e, a partir disso, talvez eles tenham que ter mais cuidado para dosar as referências na próxima temporada (já confirmada), para que não percam a naturalidade que, pra mim, os Irmãos Duffer conseguiram até então ao trabalhar com isso. A sensação de nostalgia aquece o coração, mas não te desliga da Eleven, de Upside Down e dos mistérios que englobam o desaparecimento do Will.

Comentários

  1. Por coincidência só consegui publicar sobre ST hoje! Mutas coisas eu concordo e também fui bastante surpreendido. 🙂

    Te convido para uma leitura em: quartaparedesite.wordpress.com

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